Estamos no natal. Não vou falar sobre o espírito natalino tampouco consumismo. Acredito que o natal é um momento onde as pessoas estão pré-dispostas à serem mais solidárias. Aqui, também não interessa os motivos dessa solidariedade, ela existe e pronto.
Considerando que o natal tem significados emblemáticos para a grande maioria das pessoas, símbolos de natal são na sua maioria simbolos solidários. O presépio, a troca de presentes, as campanhas para as crianças carentes etc, todos o são.
Pois é justamente de um símbolo que eu quero falar. Santa Maria historicamente escondeu seus problemas debaixo do tapete. As diferenças eram tratadas apenas como motivo de reunião de senhoras (bem intencionadas na sua maioria)incumbidas de distribuir alguns agrados à "comunidade carente". Há poucos anos atrás (bem poucos) Santa Maria acordou com uma árvore de natal feita tão somente de garrafas PET (aquelas que vocês põem no lixo). E o mais estranho, fincada no local mais central e improvável de vermos tamanho absurdo: no calçadão. Aquela árvore, nem sempre bonita plasticamente, construída por gente que vive do lixo, representava uma invasão silenciosa no espaço público da cidade. Peraí! Tudo bem que esses caras mexam nas lixeiras, atrapalhem o trânsito com carrinhos fantasiados. Mas deixarem uma parte de si no meio do calçadão? Obrigando os do centro conviverem com aquela garrafas PET? Não! Claro que não. Esse tipo de manifestação deve ser escondida, deve se manter na periferia e, talvez, em alguma matéria de jornal falando dos "recicladores". Mas não no centro. E, no supra-sumo das suas vidas, aparecerem em um Globo Repórter ou num programa sobre periferia (veja bem, periferia.) da Regina Casé.
Desde o ano passado não temos mais a árvore de PET. Temos uma árvore linda, com laços, verde (como os pinheiros), brilhante. Mas completamente sem alma. Quando passei por aquela árvore, tive vontade de chorar. Voltamos ao passado? Perdemos a batalha? Santa Maria vai voltar a fingir que as diferenças não existem. A árvore de PET era uma lembrança cravada na alma de todos. Mostrando que as diferenças existem e são cruéis. Mesmo que compremos milhares em presentes, aquela visão sempre nos lembraria que existe mais Santa Maria do que a maioria conhece.
Valdeci (sei que assessores teus lêem esse blog), tem mais um ano nesse mandato. Sabe que símbolos são importantes. Não perca este. Se precisar de ajuda, sou parceiro. Até porque temos "opção de classe", não é mesmo?
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Implausível
Minha intenção era retomar o blog falando sobre o I Encontro de Cidades do Mercosul e a eleição no PT. Só que ontem tive o privilégio de acompanhar uma conversa entre o Oscar Niemeyer e o Ferreira Gullar que, sem dúvida alguma, é mais importante que os temas anteriores.
Por dever de ofício, estava a testar alguns equipamentos e consegui gravar um fragmento da conversa que preciso divulgar aqui. Fazia tempo que não via algo tão lírico e brilhante. Lembrem-se que estamos falando de dois comunistas históricos, ateus e cientificistas.
A conversa versava sobre a a crença em deus e na religião, então:
"Niemeyer - Tudo besteira, besteira linda, mas besteira mesmo... Não vai me dizer que isso é plausível?
Gullar - Plausível é uma coisa, crença é outra. Toda a crença é pelo menos impláusivel. Eu tenho um poema que me veio assim: eu ia para o trabalho e passei pelo cemitério São João Batista. A manhã estava linda, e eu me lembrei de meus amigos ali, Vianinha, Paulo Pontes, Vinícius, todos eles...E imaginei que estava juntos, sentados no túmulo do Vinícius, rindo e conversando... Tudo assim no balanço da brisa...Eram espirítos e estavam ali se divertindo, felizes, brincalhões... Daí o cara pára no sinal, e eu caio em mim: mas um comunista não pode ficar pensando nessas coisas! É, mas a manhã era tão linda que eu preferi acreditar que meus amigos estavam ali se divertindo, conversando e rindo como digo no poema:
Nessa manhã brasileira
que torna implausível a escura morte..."
Estou buscando o poema inteiro, mas só esses dois versos antecedidos pela história do poeta levam-me a pensar que vale a pena continuar. Depois de tantos absurdo que vi na última semana, o Ferreira Gullar ressuscitou uma chama de esperança dentro de mim. Pelos amigos que estão aí, pelos que já foram (com certeza jogando truco), vale a pena continuar.
Por dever de ofício, estava a testar alguns equipamentos e consegui gravar um fragmento da conversa que preciso divulgar aqui. Fazia tempo que não via algo tão lírico e brilhante. Lembrem-se que estamos falando de dois comunistas históricos, ateus e cientificistas.
A conversa versava sobre a a crença em deus e na religião, então:
"Niemeyer - Tudo besteira, besteira linda, mas besteira mesmo... Não vai me dizer que isso é plausível?
Gullar - Plausível é uma coisa, crença é outra. Toda a crença é pelo menos impláusivel. Eu tenho um poema que me veio assim: eu ia para o trabalho e passei pelo cemitério São João Batista. A manhã estava linda, e eu me lembrei de meus amigos ali, Vianinha, Paulo Pontes, Vinícius, todos eles...E imaginei que estava juntos, sentados no túmulo do Vinícius, rindo e conversando... Tudo assim no balanço da brisa...Eram espirítos e estavam ali se divertindo, felizes, brincalhões... Daí o cara pára no sinal, e eu caio em mim: mas um comunista não pode ficar pensando nessas coisas! É, mas a manhã era tão linda que eu preferi acreditar que meus amigos estavam ali se divertindo, conversando e rindo como digo no poema:
Nessa manhã brasileira
que torna implausível a escura morte..."
Estou buscando o poema inteiro, mas só esses dois versos antecedidos pela história do poeta levam-me a pensar que vale a pena continuar. Depois de tantos absurdo que vi na última semana, o Ferreira Gullar ressuscitou uma chama de esperança dentro de mim. Pelos amigos que estão aí, pelos que já foram (com certeza jogando truco), vale a pena continuar.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Dois pesos...
Acho interessantíssima (tenho amigos que criticam meus superlativos) a opinião da REBES sobre a carga tributária, os respectivos impostos e tentativas de aumento dos mesmos. Até bem pouco tempo atrás, aumento de impostos era uma palavrão para esta dileta rede de comunicação, assim como para seus grandes, preparados, insuperáveis e isentos comentaristas.
Incrivelmente, corajosamente, inescrupulosamente, opa, esse não; a REBES lamenta a atitude da Assembléia Legislativa que deu um relhaço na governadora paulista, impedindo um roubo descarado no bolso do contribuinte. Seu mais rubicundo comentarista atira farpas na Assembléia por "não ter dado mais tempo à votação do pacote. Para discutirmos melhor o futuro do Rio Grande.". Faz tempo que eu não tenho orgulho de várias instituições, mas hoje tenho o orgulho de escrever Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul com maiúsculas.
E o mais engraçado, é que a mesma REBES critica a tentativa de manutenção da CPMF, o único imposto que penaliza quem movimenta mais dinheiro nos bancos. Vai entender. Eu entendo.
Incrivelmente, corajosamente, inescrupulosamente, opa, esse não; a REBES lamenta a atitude da Assembléia Legislativa que deu um relhaço na governadora paulista, impedindo um roubo descarado no bolso do contribuinte. Seu mais rubicundo comentarista atira farpas na Assembléia por "não ter dado mais tempo à votação do pacote. Para discutirmos melhor o futuro do Rio Grande.". Faz tempo que eu não tenho orgulho de várias instituições, mas hoje tenho o orgulho de escrever Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul com maiúsculas.
E o mais engraçado, é que a mesma REBES critica a tentativa de manutenção da CPMF, o único imposto que penaliza quem movimenta mais dinheiro nos bancos. Vai entender. Eu entendo.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Carrefour
Tenho acompanhado uma polêmica fantástica sobre as "ajudas" que o Carrefour tem dado à cidade. Alguns dizem que o Hipermercado tem patrocinado ações pela cidade e não poderia fazer isto. Pelo que eu sei, está ajudando na contrução do "xópim" popular e no novo paradão de ônibus.
Na minha imodesta opinião, só posso elogiar a atitude da empresa. Quiça todas as empresas que se estabelecerem na cidade ajudem na infra-estrutura da mesma. Sem contar que só por ter restaurado o Hugo Taylor já teria minha admiração.
Ainda não fui no mercado, embora trabalhe a poucas quadras e more ao lado, mas mal posso esperar para tomar um café sob a pintura do Locatelli.
E os que criticam o mercado por "interferir" na cidade, deve ser inveja ou culpa.
Em tempo: A única relação que tenho com o Carrefour é a vontade que tenho de conhecer a França.
Na minha imodesta opinião, só posso elogiar a atitude da empresa. Quiça todas as empresas que se estabelecerem na cidade ajudem na infra-estrutura da mesma. Sem contar que só por ter restaurado o Hugo Taylor já teria minha admiração.
Ainda não fui no mercado, embora trabalhe a poucas quadras e more ao lado, mas mal posso esperar para tomar um café sob a pintura do Locatelli.
E os que criticam o mercado por "interferir" na cidade, deve ser inveja ou culpa.
Em tempo: A única relação que tenho com o Carrefour é a vontade que tenho de conhecer a França.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Desculpas
Sei que estou em débito com meus cinco leitores, mas para a semana que vem retomo o blog com mais opiniões nem sempre canônicas.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Camões
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
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