terça-feira, 27 de outubro de 2009

Poemas

Nesses últimos dias, por diversos motivos, inclusive influenciado pela melancolia do Mauro e do Luciano, resolvi reler alguns poetas que fazia tempo que não visitava. De uma forma ou de outra, em momentos diferentes da minha existência, muito me influenciaram. Só para lembrar, segue um Maiakowski, um Leminski e um Baudelaire.

"DESPERTAR É PRECISO


Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.

Na segunda noite,

Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.

Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,

Já não podemos dizer nada."




ave a raiva desta noite a baita lasca fúria abrupta

louca besta vaca soltaruiva luz que contra o dia

tanto e tarde madrugastes

morra a calma desta tarde morra em ouro

enfim, mais seda a morte, essa fraude,

quando próspera

viva e morra sobretudo este dia, metal vil,

surdo, cego e mudo, nele tudo foi e, se ser foi tudo,

já nem tudo nem sei se vai saber a primavera

ou se um dia saberei que nem eu saber nem ser nem era"


"EMBRIAGUEM-SE


É preciso estar sempre embriagado.

Aí está: eis a única questão.

Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

Com quê?

Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

Mas embriaguem-se.


E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso".


Com vinho, poesia ou virtude, a escolher."



Bela trinca.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Derretendo geada...

Terminar um relacionamento deve ser uma das cosas mais difíceis na vida de qualquer um. O carinho e o respeito, normalmente são substituídos por rancor e mágoas. Problemas que nunca fizeram parte da vida do casal, ou eram tratados de forma conjunta, tornam-se motivos para infinitas discussões sem propósito algum. Os dois lados, buscam um conforto em qualquer coisa. Seja ela negar o que está acontecendo, ou transferir as responsabilidades para o outro.
Depois de nove anos de convívio. Eu e a Juliana decidimos seguir caminhos diferentes. Cada um buscará sua forma de vida independente do outro.
Essa decisão conjunta porém, não tira o tempo que passamos juntos, tampouco o bem que cada um fez ao outro. De minha parte, a convivência com a Juliana me rejuvenesceu e me ensinou a conviver com uma personalidade artística, me proporcionou acompanhar o crescimento da Gabriella dos 5 ao 14 anos e a lidar com diferenças de origem. Além de vários momentos que ficarão marcados de forma indelével na minha memória. O que que fiz para a Juliana? Ela que avalie. Eu sei que cometi muitos erros e acertos.
Neste período delicado onde é fundamental a serenidade para acertar todas as coisas, combinamos que ninguém fala por nós. Os motivos são nossos e cabe tão somente a nós resolver nossos caminhos.
Para a Juliana, desejo a maior felicidade do mundo. Que encontre sempre na vida, pessoas dispostas a amá-la e respeitá-la, que nesse aspecto sei que não falhei. Para a Gabriella, a certeza que ela tem em mim um amigo, para o que der e vier.
Quanto a mim, a disposição de não desistir jamais da felicidade. Como diz o Munõz, "só os fracos desistem". Embora nesse momento de transição tudo seja meio difícil o sol vai sair. Inclusive, cheguei em casa esses dias, já de noite, e minha mãe perguntou como eu me sentia. Dramático como sempre, respondi que "me sentia triste como um campo coberto de geada", no que de pronto ela respondeu: "Então vai dormir e levanta cedo para sair no sol e derreter esta geada.".

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

1808


Ontem terminei a leitura do livro 1808 que conta a passagem da família real portuguesa pelo Brasil. Bom livro, bem escrito pelo jornalista Laurentino Gomes que narra com bastante qualidade toda a mudança acontecida no país neste período. Creio ser um livro de leitura obrigatória no ensino fundamental. E só.


Digo que é só, porque o livro me parece um grande apanhado bibliográfico das mais diversas informações dispersas sobre o assunto. As vezes tive a impressão de já ter lido aquela parte do livro em algum outro lugar, quase uma citação. Somado a isso, o estilo literário do escritor é por vezes formal demais, ou pior, "engraçadinho", bem ao estilo do manual de escrita da revista veja (minúsculas propositalmente), as vezes tratando o leitor como um ignorante contumaz, incapaz de tirar conclusões óbvias.


Apesar disso, quem tem pouco conhecimento sobre o período, o livro ajuda a entender muitas das características que o Brasil assume até hoje. Por outro lado, quem conhece aquela história, pouco se surpreenderá.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

De volta graças ao ganso Patola


Fazia tempo que eu queria voltar a escrever no blog, mas os assuntos que chamavam atenção naqueles momentos ou eram doloridos demais ou exigiam grandes explicações, coisa que não estava disposto a fazer.
Semana passada, vendo um programa do Discovery sobre a vida do ganso Patola, descobri nele, várias características comuns. Essas semelhanças, por algum motivo inexplicável, me levaram a voltar a escrever.
Entre as várias semelhanças entre o ganso Patola e eu, vale destacar duas visuais que são de grande valia. A primeira, a forma de andar. O ganso Patola caminha graciosamente com as duas patas apontadas para o lado, o famoso 10 para as duas. Como eu utilizo esse elegante caminhar, já nos encontramos aí. A segunda, e mais interessante ainda, é que o ganso Patola ao acordar, ao invés de alisar suas penas e colocá-las no "lugar", ele as dessarruma o máximo possível para não ficarem simétricas, atraindo assim as gansas Patolas pelo inusitado da obra. Tenho como característica pessoal vestir a primeira roupa que encontro no guarda-roupa, causando certas combinações imprevisíveis (diga-se de passagem, existem detratores que afirmam que eu faço isso por gosto, o que não é verdade), denotando mais uma semelhança com o também inusitado penoso.
Não contente nessas semelhanças "físicas", o ganso Patola tem um interesse constante pela sua gansa escolhida. Estabelecem uma união duradoura com sua gansa e não raro, passam a vida toda juntos. E mais importante: mesmo que não tenha gansinhos, o que é comum na espécie, ainda assim o casal se mantém unido e parceiro.
Não que eu queira chamar a Juliana de gansa, mas ela aceita todas essas minhas característica de Patola, e à ela só posso agradecer.


sexta-feira, 18 de abril de 2008

Quando a paciência perde a paciência.

Paciência e sobriedade são duas qualidades das mais afeitas ao Galvão. Isso todo mundo sabe. O Galvão é quase um monge tibetano, dada sua tranqulidade e parcimônia. Por tudo isso o que mais ouvi sobre o episódio envolvendo o Galvão e o seu Alamir foi: "mas o que esse guri fez para tirar o Galvão do sério?". Não sei exatamente o que o guri fez, tampouco escutei do próprio Galvão o que aconteceu. O que eu sei é que esse guri merecia isso há muito tempo. Não. Não sou um defensor da violência, também não acho que as coisas devam ser resolvidas nas vias de fato. Mas ao mesmo tempo, vejo a sistemática com que esse guri se utiliza irresponsavelmente do seu mandato de vereador. Seu espaço, ao invés de acrescentar, é uma catilena de impropérios e sandices. Esse guri, remói um ódio feroz por aqueles que não pensam como ele, ou não se locupletam como ele. Esquece, esse guri, que nada mais é que uma correia de transmissão de outrém, não mais qualificado. Não detém nem um mandato verdadeiro, afinal são votos transferidos por outro. Outro que tivesse escolhido um anencéfalo, teria ganhado mais. Outra coisa, não falo nada em tese. Eu vi a prática desse guri em diversas oportunidades. Se o guri apanhou, fez por merecer. Se a paciência perdeu a paciência, fez por muita gente, inclusive por mim. Afinal, como eu aprendi com meu pai, não se chama um homem de covarde sem esperar reação. Covarde o Galvão seria, se não tivesse feito nada.

sábado, 29 de março de 2008

UM COELHO “DOUTOR”!

Publico esse texto do meu tio João Gilberto Lucas Coelho, parabenizando meu primo Tuia pelo seu doutorado.
Com a inveja saudável e esperando que o feito faça eu tomar vergonha na cara, esse texto conta brevemente uma história linda de parte da minha família. O Artur merece, assim como merecem o Tio João e a Tia Albane. Assim como merecem todos os Coelhos e Pfeifers.

"Na sexta-feira, 28 de março de 2008, no Instituto de Física da UFRGS, quando a banca aprovou a tese de doutorado em microeletrônica “Isolação Elétrica por Implantação Iônica em GaAs e AIGaAs” do aluno Artur Vicente Pfeifer Coelho, um ciclo se completou.
Olho para os lados, até onde meu conhecimento genealógico alcança, não conseguindo encontrar outro parente Coelho “doutor”. É um feito para esta família que no século XIX fora proprietária significativa de terras em Quaraí, mas que amanheceu o vigésimo século em situação muito modesta. E é nesta condição dura e desafiadora que cresceu o Vicente, pelo que se conta órfão de mãe ainda cedo e de pai já quase adulto. Foi peão, tropeiro, capataz, administrador e, já pela metade do século quando nasci, proprietário de uns duzentos hectares onde praticou a pecuária daqueles tempos e fez chácara e pomar. Tinha rudimentos de instrução, uma bela letra e facilidade com os números nas quatro operações básicas. Foi ele quem decidiu que haveria de fazer um “doutor” na descendência. Mas, doutor naquele tempo era médico e ele sonhou que seu primeiro filho varão haveria de sê-lo e até se mudou para a cidade, a fim de facilitar a educação do menino. Decepcionei-o, primeiro com a vontade infantil de ir para o seminário, depois com a escolha do direito; advogado era sim doutor, mas não era a mesma coisa que médico! Ou seja, sem ter tido chance de estudar naqueles tempos, Vicente decidiu que aos filhos não faltaria tal oportunidade e seu orgulho teria sido ver um médico entre eles.
E a Celina, então! Faz parte do folclore da família que lá pela segunda década do século XX o pai dela, Sabino, decidiu ensinar aos filhos homens leitura, escrita e as tais quatro operações matemáticas. E se aplicou a tal. Nestas aulas domésticas a Celina, única filha, ficava escondida atrás da porta e assim aprendeu a ler e escrever e a fazer as contas, driblando a discriminação paterna. Foi essa mulher tão decidida que me ensinou a rimar e antes de ler ou escrever, ainda morando no campo, fiz minha primeira estrofe, uma quadrinha em homenagem à Rama Negra, uma égua “pecherona” que, para surpresa de todos, ganhava carreiras em cancha reta no Garupá. Foi a pioneira das dezenas de poesias que escreveria até a juventude... Foi ela também que me indicou os caminhos da curiosidade científica, mostrando de cada borboleta em que vegetal colocava ovos, quanto tempo para nascerem as lagartas e assim por diante. No ginásio, fiz um trabalho de ciências a respeito que me rendeu até ser recebido num almoço do Rotary Clube da cidade para expor a bem sucedida experiência (ou observação científica)...
Pois é. Vicente e Celina tiveram vida suficiente para ver um filho deputado federal, mas não chegaram a conviver com um verdadeiro doutor na família.

Foram as coisas do coração, o enlevo e a paixão, que levaram um filho do Vicente e da Celina a unir-se a Albanise e a uma genética privilegiada. Os Pfeifer acumulam lauréis e destaque científico e cultural, além de incluírem em sua árvore genealógica diversos médicos, os tão sonhados “doutores” para o Vicente.... E ele logo se apegou à nora, encantado (e ainda era filha de médico!).
Na prole resultante desta união o gosto pelas coisas do intelecto, das artes e das ciências, sempre esteve presente. Quantos casais possuem no seu ninho quatro mestrados?
Sempre senti bem disfarçado orgulho disto. Não mais cabe aos pais sugerirem aos filhos este ou aquele caminho. Cada qual escolheu o seu e escondi sempre o sorriso satisfeito, a emoção e uma certa vaidade, para que jamais pressionasse ou induzisse. Não existiu qualquer indução a esta ou aquela profissão. Sequer compareço às defesas de dissertações, para que a presença não atrapalhe ou misture sentimentos de gerações a momento tão especial e particular.
Mas, me sentia endividado com o velho Vicente que há tantos anos nos deixou. Não atendi a qualquer dos seus anseios. Quando no fim da vida me disse, triste, que achava que os filhos venderiam sua propriedade em Quarai, desconversei... faleceu, pouco depois, e nós, herdeiros, vendemos o campo dele! O presente que encomendou à sua adorada afilhada (“Quando puderes, compra uma chácara para que ela tome gosto pela vida do campo...”), não foi e, pelo jeito, nunca será entregue! Em todo o caso, sem qualquer interferência minha, a afilhada revelou-se hábil cavaleira e entusiasta do convívio com animais, o que certamente o faria sorrir orgulhoso.
E agora, o Artur Vicente, que ele nem chegou a ver sem fraldas, cumpre a destinação que o velho de vida rude e sonhos intelectuais para a descendência tanto desejou: é um verdadeiro doutor! Talvez, onde se encontre, nem entenda bem ainda o que é ser físico, o que é microeletrônica e, muito menos, o complexo título da tese de doutorado e as estafantes experiências que levaram a este. Mas, não deixará passar o orgulho quando lhe contarem que tem um neto doutor de verdade! Certamente, a Celina, com sua paixão pela leitura e a assinatura de tudo o que era revista informativa dos tempos em que a ciência deslanchava, irá saber explicar bem o que é ser físico e vai contar que a família não tem apenas um doutor, tem um cientista!
Que alegria que o Dr. Arthur e a Dona Alba estão aí, presentes e ativos, para verem o primeiro neto de sua linhagem Pfeifer alcançar o doutorado!
Mas, se alguém vir um vulto de outro mundo cavalgando pelas noites do Garupá, enrolado num poncho e resmungando alguma coisa solitariamente, não se preocupe: o Vicente é assim mesmo, cada vez que a gente alcançava um sucesso na escola, quando ele ia elogiar parecia estar xingando porque a emoção de homem rude mais parece resmungo! Será o Vicente sim, cavalgando, balbuciando orgulho e emoção!
Não torci para que o Artur Vicente emendasse – como o fez – o doutorado ao recém concluído mestrado. Pelo contrário, temi que sua saúde sofresse consequências por tamanho desafio, ainda mais em área tão complexa e exaustiva. Decisão adotada, respeitei e apoiei. Agora que tudo passou, o ciclo se completou, é hora de revelar o significado desta façanha: do lado Coelho dessa filiação trata-se de feito ímpar, o primeiro a alcançar o doutorado que eu saiba. É o culminar de um processo que iniciou nas primeiras décadas do século XX quando o Vicente tropeando pelos rincões deste Rio Grande, talvez maldizendo suas condições de vida, decidiu que um seu descendente iria ser “doutor”. Ou quando a Celina, atrás da porta, escolheu aprender a ler, escrever e fazer contas contra a vontade paterna de que só os varões precisavam deste tipo de instrução. Foi decisão e determinação deles. Nós, até sem noção exata da missão, apenas a cumprimos! Festejemos, então!

João Gilberto "

Confesso que terminei o texto chorando.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Esse é genuíno!


Não pude escapar do trocadilho com o nome deste que é uma das maiores capacidades na política brasileira: José Genoino.

Estive em POA neste final de semana e fui privilégiado com dois momentos inesquecíveis. Primeiro a saudação do Genoino aos participantes do encontro da Unidade na Luta. Nesta fala, o ex-guerrilheiro contou que a maior dificuldade dele, era explicar ao pai, um sertanejo que vive no interior de Quixeramobim no Ceará, a lógica da sua trajetória. Esse pai zeloso não entendia porque seu filho foi embora da cidade para estudar, foi expulso da universidade, se embrenhou no mato para derrubar o governo, foi preso, virou deputado federal e, pasmem, não melhorou financeiramente de vida. Por último, alcançou um grande sonho, foi presidente nacional do PT e, na contramão de suas intenções, passou a ser chamado de corrupto. Esse pai, inteligente na sua ignorância, não entende o porque dessa luta toda para terminar com seu filho, que ele conhece muito bem, sendo chamando de chefe de quadrilha. Genoino foi e é um homem que entrega sua vida pela luta dos trabalhadores. Começou como um guerrilheiro que travou a luta armada por uma revolução social e hoje encabeça a frente dos parlamentares que mais lutam pela democracia e pelos direitos humanos. Contradição? Não. Evolução. Posições de um homem que por ele mesmo "...assume suas idéias e posições com toda a radicalidade possível." Ou seja, não um "salame" que se aproveita de momentos, mas um militante do Partido dos Trabalhadores.

Nesse breve discurso, onde rapidademente falou de sua trajetória, meu sentimento era de pura admiração e emoção. Em vários momentos me peguei com os olhos cheios d'água, e olhando em volta encontrei vários companheiros na mesma situação. Genoino é dos que fazem chorar. Pela coragem que teve ao fazer, e pela coragem daquilo que ainda fará.

Num segundo momento, fui no lançamento do livro de José Genoino, que conta toda a sua história. Evidentemente, adquiri o livro e ele autografou com uma mensagem simples: " Ao companheiro Clayton Coelho. Companheiro na lutas que passaram e nas que virão. Um abraço, José Genoino". Eu acho que eu balbuciei alguma coisa do tipo, "muito obrigado", "obrigado por tu do que fez", sei lá! Realmente não lembro. Um aperto de mão forte, um olhar no olho e abandonei a fila dos autógrafos carregando aquele livro como se fosse meu maior tesouro, e com certeza, naquele momento era. Minha sensação misturava euforia com esperança. Esperança em acreditar ainda na raça humana. Se pode fazer um José Genoino, pode fazer gente melhor do que normalmente aparecem por aí. Esperança. Essa palavra já representou muito em minha vida. O Genoino fez eu buscá-la lá no cantinho do cérebro onde estava esquecida. Obrigado Zé.