segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010


Encerro essa período intenso com bastante otimismo e disposição. Intenso por que tive durante 10 dias a presença do meu sócio "inglês" Beto Muñoz. O Beto é daquelas pessoas definitivas. Daquelas que não abrem muito espaço para especulações. Terra é terra, água é água. Prá mim que convivo diretamente com a "mediação" da política essa visita ajuda a dimensionar as outras formas de pensar e a compreender que nem tudo pode ser tratado dialeticamente. De fato tem coisas que simplesmente são, não cabe antítese. Além disso, o Beto é meu irmão. Passar algum tempo com ele é sempre bom.


De certa forma, tem me incomodado sobremaneira, essa necessidade de encontrar explicações para sensações e/ou sentimentos. Em geral, todos buscam uma explicação racional para acontecimentos irracionais. É como achar que a raça humana é lógica. Descartes é apenas um filósofo destemido que buscava explicar a sua (dele) forma de pensar. Se ele era cartesiano, paciência. Agora imaginar que a humanidade podia ser, loucura, ou no mínimo bobagem. Esse tipo de irracionalidade gerada a partir das emoções se explica por si mesmo: são emoções, cada um controla como pode.


A irracionalidade da humanidade parece crescer a cada período, sem demontrações de que a tecnologia, a religião, a filosofia, possam ter colaborado para que a razão assuma papéis mais efetivos (aqui cabe um parêntese: embora tenha, por apuro literário, colocado a religião na lista de quem possa buscar "razão", o tipo de "razão" que a religião busca não me é nem um pouco cara, ao contrário, dispenso e condeno). Esse crescimento irracional aflora em situações corriqueiras (o trânsito) até catástrofes (o Haiti), onde reações estúpidas acarretam em desastres maiores que o anterior.


Mas o que eu quero dizer com tudo isso? Não faço a menor ideia. Só acho que se fossemos Vulcanianos (Vida Longa e Próspera!), a vida não teria graça nenhuma. As irracionalidades, as irresponsabilidades, os desatinos, podem, e devem, fazer parte da vida. Cada um com sua causa e com sua consequência.


Só o seguinte, como diria o Kant (minha proximidade com filósofos é algo!), não faça aos outros o que não gostaria que fizessem contigo, ou em bagualês: se não quer confusão, não amarra porongo nos tentos!


Tenho dito.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010




















Barco Perdido
Julio Saldanha

“ainda sinto nos recuerdos teu perfume
Embora saibas que há tempos te perdi
Vou carregar a solidão sempre comigo
Porque eu não quis, e não quero repartir
Quando o sol rasgar o chão trazendo um dia
Não estarei mais a teu lado a te beijar
Talvez outro que te aceite repartida
Deita a teu lado pra aquecer o meu lugar”

Passou como passa nas águas de um rio
Um barco perdido sem remo ou patrão
Na calma da noite brincou no remanso
Seguindo o balanço do meu assovio

Tu fostes o barco que o rio carregou
Eu fui o remanso onde o barco brincou
E hoje eu me indago nas noites de paz
Meu barco perdido, por onde andarás?
Por onde, por onde, por onde andarás?

Os gaudérios também amam.












Flor do Sul
Julio Saldanha


Senti o teu cheiro nas flores do campo
Quando a primavera se fez como tu
Eu vi nas coxilhas teu corpo estampado
E versos cantados no canto do anu

Na brisa do vento teus longos cabelos
Num doce bailado de fios de capim
Até o sol da tarde se fez mais ameno
Nos passos serenos que viestes pra mim

Eu vi teu encanto de flor camponesa
De musa e princesa dos dias do sul
Guria bonita, menina formosa
Com jeito de rosa, vestida de azul

Eu vi teu murmúrio na água da sanga
E lábios sorrindo pra quem esperou
O vento passou e levou nossos medos
Deixando o carinho que a alma plantou

Eu vi teu afeto no jeito que olhaste
E sei que notaste que trago no olhar
Um homem do campo que atrás da rudeza
Esconde a grandeza de tanto te amar

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

SAMPA


Esse texto está atrasado, mas como já tinha escrito, resolvi publicar.

Não. Não estive na Ipiranga com a Avenida São João. Mas estive em São Paulo. Fui gravar um material para a conclusão de mestrado do "cumpadre" Luciano.
E aqui cabe o primeiro comentário. O trabalho do Luciano versa basicamente sobre arte e direitos humanos (os interessados, perguntem à ele), e esse tema nos levou a conhece o JAMAC. O Jardim Miriam Arte Clube foi criado por, entre outros, Mônica Nador, artista plástica de muito sucesso na década de oitenta, que agora dedica-se a coordenar e ensinar jovens em condição de risco para trabalhar com arte. O que mais interessa e impressiona, não é propriamente o trabalho, que já é fantástico em si. O que impressiona é que a Mônica nos contou que desde que abandonou o trabalho "acadêmico", seus pares tratam essa nova expressão artística com os jovens como "menor", como "mal-acabada", como "artesanato". Faz tempo que comprendo a arte como forma de expressão. Não necessariamente contestadora ou bela, mas com propósitos inerentes à sua confecção. A expressão artística não pode, nem deve, ficar presa a academia, que via de regra, tem se mostrado bastante preconceituosa. Essa posição "acadêmica" sobre o trabalho da Mônica, simplesmente impede a compreensão de artístas como Alexander Calder, Krajberg e o Leí, apenas para ficar em três. O Leí, santa-mariense, que faleceu prematuramentente, sequer é reconhecido como artista por parte do curso de Artes Visuais da UFSM. Como se a arte necessitasse de um carimbo corroborativo. Enfim. Opiniões.
Esse papo artístico aí de cima, também serve para introduzir algumas experiências fabulosas para quem aprecia arte. Estive mo MASP e na Pinacoteca de São Paulo. Pude ver, bem de pertinho, várias obras de artistas que sempre tive vontade de conhecer. Portinari, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Hélio Oiticica, para ficar em alguns brasileiros. Mas a catarse acontece, tanto no MASP, quanto na Pinacoteca, quando as esculturas do Rodin ficam a milímetros do teu rosto, permitindo esquadrinhar cada músculo daquelas esculturas humanas. Impressionante, difícil descrever.
As artes plásticas sempre me fascinaram. Como apreciador, sempre busquei aprender sobre isso, conhecendo velhos e novos artistas. Mas quem me conhece, sabe que a minha praia é a palavra escrita. Escritores, leitura é o que mais me conquista e me convence. O museu da língua portuguesa na estação da luz, merecia uma semana de confinamento exclusico à ele. Um espetáculo. Sem falar no vídeo que é passado numa sala de projeção indescritível, tanto na tecnologia, na arquitetura e na qualidade técnica. Vou levar a Eloá lá. Vou sim.

domingo, 22 de novembro de 2009

Cineclubistas


Tive a oportunidade de participar de reuniões com cineclubistas. Como aquecimento ao Santa Maria Vídeo e Cinema, participantes de todo o país discutem a construção e efetivação de cineclubes para todo o Brasil. Para tentar entender, cineclubes são espaços democráticos onde se promove exibição de filmes que não atingem os cinemas comerciais. Promovem debates e discussões sobre filmes nacionais ou não, bem como a produção audiovisual no Brasil.

Considerando que vários realizadores audiovisuais são ou foram cineclubistas, incluindo aqui o Cassol, principal responsável pela existência do SMVC, é notória a importância desse grupo.

Feita a cautelar, cabe aqui algumas considerações absolutamente pessoais.

Me senti nas discussões do movimento estudantil do final da década de 80. Personalismos, sectarismos, incompreensões e ciúmes, são constantes na discussão. Pelo fato de reunir pessoas que são cineclubistas há milhares de anos, bem como alguns que acham-se donos do movimento, as vezes o debate parece interminável e incloncudente.

Surpreendentemente, quando se tem a impressão que foi uma péssima ideia reunir esse bando, parece que são tomados por uma espécie de fervor religioso onde se encontram na fé cineclubista. Decisões são tomadas, encaminhamentos dados, próximos encontros marcados, abraços distribuídos e soluções encontradas.

Vida longa ao movimento cineclubista. Seguirei acompanhado sua vida. Mas bem de longe.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Poemas

Nesses últimos dias, por diversos motivos, inclusive influenciado pela melancolia do Mauro e do Luciano, resolvi reler alguns poetas que fazia tempo que não visitava. De uma forma ou de outra, em momentos diferentes da minha existência, muito me influenciaram. Só para lembrar, segue um Maiakowski, um Leminski e um Baudelaire.

"DESPERTAR É PRECISO


Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.

Na segunda noite,

Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.

Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,

Já não podemos dizer nada."




ave a raiva desta noite a baita lasca fúria abrupta

louca besta vaca soltaruiva luz que contra o dia

tanto e tarde madrugastes

morra a calma desta tarde morra em ouro

enfim, mais seda a morte, essa fraude,

quando próspera

viva e morra sobretudo este dia, metal vil,

surdo, cego e mudo, nele tudo foi e, se ser foi tudo,

já nem tudo nem sei se vai saber a primavera

ou se um dia saberei que nem eu saber nem ser nem era"


"EMBRIAGUEM-SE


É preciso estar sempre embriagado.

Aí está: eis a única questão.

Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

Com quê?

Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

Mas embriaguem-se.


E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso".


Com vinho, poesia ou virtude, a escolher."



Bela trinca.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Derretendo geada...

Terminar um relacionamento deve ser uma das cosas mais difíceis na vida de qualquer um. O carinho e o respeito, normalmente são substituídos por rancor e mágoas. Problemas que nunca fizeram parte da vida do casal, ou eram tratados de forma conjunta, tornam-se motivos para infinitas discussões sem propósito algum. Os dois lados, buscam um conforto em qualquer coisa. Seja ela negar o que está acontecendo, ou transferir as responsabilidades para o outro.
Depois de nove anos de convívio. Eu e a Juliana decidimos seguir caminhos diferentes. Cada um buscará sua forma de vida independente do outro.
Essa decisão conjunta porém, não tira o tempo que passamos juntos, tampouco o bem que cada um fez ao outro. De minha parte, a convivência com a Juliana me rejuvenesceu e me ensinou a conviver com uma personalidade artística, me proporcionou acompanhar o crescimento da Gabriella dos 5 ao 14 anos e a lidar com diferenças de origem. Além de vários momentos que ficarão marcados de forma indelével na minha memória. O que que fiz para a Juliana? Ela que avalie. Eu sei que cometi muitos erros e acertos.
Neste período delicado onde é fundamental a serenidade para acertar todas as coisas, combinamos que ninguém fala por nós. Os motivos são nossos e cabe tão somente a nós resolver nossos caminhos.
Para a Juliana, desejo a maior felicidade do mundo. Que encontre sempre na vida, pessoas dispostas a amá-la e respeitá-la, que nesse aspecto sei que não falhei. Para a Gabriella, a certeza que ela tem em mim um amigo, para o que der e vier.
Quanto a mim, a disposição de não desistir jamais da felicidade. Como diz o Munõz, "só os fracos desistem". Embora nesse momento de transição tudo seja meio difícil o sol vai sair. Inclusive, cheguei em casa esses dias, já de noite, e minha mãe perguntou como eu me sentia. Dramático como sempre, respondi que "me sentia triste como um campo coberto de geada", no que de pronto ela respondeu: "Então vai dormir e levanta cedo para sair no sol e derreter esta geada.".

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

1808


Ontem terminei a leitura do livro 1808 que conta a passagem da família real portuguesa pelo Brasil. Bom livro, bem escrito pelo jornalista Laurentino Gomes que narra com bastante qualidade toda a mudança acontecida no país neste período. Creio ser um livro de leitura obrigatória no ensino fundamental. E só.


Digo que é só, porque o livro me parece um grande apanhado bibliográfico das mais diversas informações dispersas sobre o assunto. As vezes tive a impressão de já ter lido aquela parte do livro em algum outro lugar, quase uma citação. Somado a isso, o estilo literário do escritor é por vezes formal demais, ou pior, "engraçadinho", bem ao estilo do manual de escrita da revista veja (minúsculas propositalmente), as vezes tratando o leitor como um ignorante contumaz, incapaz de tirar conclusões óbvias.


Apesar disso, quem tem pouco conhecimento sobre o período, o livro ajuda a entender muitas das características que o Brasil assume até hoje. Por outro lado, quem conhece aquela história, pouco se surpreenderá.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

De volta graças ao ganso Patola


Fazia tempo que eu queria voltar a escrever no blog, mas os assuntos que chamavam atenção naqueles momentos ou eram doloridos demais ou exigiam grandes explicações, coisa que não estava disposto a fazer.
Semana passada, vendo um programa do Discovery sobre a vida do ganso Patola, descobri nele, várias características comuns. Essas semelhanças, por algum motivo inexplicável, me levaram a voltar a escrever.
Entre as várias semelhanças entre o ganso Patola e eu, vale destacar duas visuais que são de grande valia. A primeira, a forma de andar. O ganso Patola caminha graciosamente com as duas patas apontadas para o lado, o famoso 10 para as duas. Como eu utilizo esse elegante caminhar, já nos encontramos aí. A segunda, e mais interessante ainda, é que o ganso Patola ao acordar, ao invés de alisar suas penas e colocá-las no "lugar", ele as dessarruma o máximo possível para não ficarem simétricas, atraindo assim as gansas Patolas pelo inusitado da obra. Tenho como característica pessoal vestir a primeira roupa que encontro no guarda-roupa, causando certas combinações imprevisíveis (diga-se de passagem, existem detratores que afirmam que eu faço isso por gosto, o que não é verdade), denotando mais uma semelhança com o também inusitado penoso.
Não contente nessas semelhanças "físicas", o ganso Patola tem um interesse constante pela sua gansa escolhida. Estabelecem uma união duradoura com sua gansa e não raro, passam a vida toda juntos. E mais importante: mesmo que não tenha gansinhos, o que é comum na espécie, ainda assim o casal se mantém unido e parceiro.
Não que eu queira chamar a Juliana de gansa, mas ela aceita todas essas minhas característica de Patola, e à ela só posso agradecer.


sexta-feira, 18 de abril de 2008

Quando a paciência perde a paciência.

Paciência e sobriedade são duas qualidades das mais afeitas ao Galvão. Isso todo mundo sabe. O Galvão é quase um monge tibetano, dada sua tranqulidade e parcimônia. Por tudo isso o que mais ouvi sobre o episódio envolvendo o Galvão e o seu Alamir foi: "mas o que esse guri fez para tirar o Galvão do sério?". Não sei exatamente o que o guri fez, tampouco escutei do próprio Galvão o que aconteceu. O que eu sei é que esse guri merecia isso há muito tempo. Não. Não sou um defensor da violência, também não acho que as coisas devam ser resolvidas nas vias de fato. Mas ao mesmo tempo, vejo a sistemática com que esse guri se utiliza irresponsavelmente do seu mandato de vereador. Seu espaço, ao invés de acrescentar, é uma catilena de impropérios e sandices. Esse guri, remói um ódio feroz por aqueles que não pensam como ele, ou não se locupletam como ele. Esquece, esse guri, que nada mais é que uma correia de transmissão de outrém, não mais qualificado. Não detém nem um mandato verdadeiro, afinal são votos transferidos por outro. Outro que tivesse escolhido um anencéfalo, teria ganhado mais. Outra coisa, não falo nada em tese. Eu vi a prática desse guri em diversas oportunidades. Se o guri apanhou, fez por merecer. Se a paciência perdeu a paciência, fez por muita gente, inclusive por mim. Afinal, como eu aprendi com meu pai, não se chama um homem de covarde sem esperar reação. Covarde o Galvão seria, se não tivesse feito nada.

sábado, 29 de março de 2008

UM COELHO “DOUTOR”!

Publico esse texto do meu tio João Gilberto Lucas Coelho, parabenizando meu primo Tuia pelo seu doutorado.
Com a inveja saudável e esperando que o feito faça eu tomar vergonha na cara, esse texto conta brevemente uma história linda de parte da minha família. O Artur merece, assim como merecem o Tio João e a Tia Albane. Assim como merecem todos os Coelhos e Pfeifers.

"Na sexta-feira, 28 de março de 2008, no Instituto de Física da UFRGS, quando a banca aprovou a tese de doutorado em microeletrônica “Isolação Elétrica por Implantação Iônica em GaAs e AIGaAs” do aluno Artur Vicente Pfeifer Coelho, um ciclo se completou.
Olho para os lados, até onde meu conhecimento genealógico alcança, não conseguindo encontrar outro parente Coelho “doutor”. É um feito para esta família que no século XIX fora proprietária significativa de terras em Quaraí, mas que amanheceu o vigésimo século em situação muito modesta. E é nesta condição dura e desafiadora que cresceu o Vicente, pelo que se conta órfão de mãe ainda cedo e de pai já quase adulto. Foi peão, tropeiro, capataz, administrador e, já pela metade do século quando nasci, proprietário de uns duzentos hectares onde praticou a pecuária daqueles tempos e fez chácara e pomar. Tinha rudimentos de instrução, uma bela letra e facilidade com os números nas quatro operações básicas. Foi ele quem decidiu que haveria de fazer um “doutor” na descendência. Mas, doutor naquele tempo era médico e ele sonhou que seu primeiro filho varão haveria de sê-lo e até se mudou para a cidade, a fim de facilitar a educação do menino. Decepcionei-o, primeiro com a vontade infantil de ir para o seminário, depois com a escolha do direito; advogado era sim doutor, mas não era a mesma coisa que médico! Ou seja, sem ter tido chance de estudar naqueles tempos, Vicente decidiu que aos filhos não faltaria tal oportunidade e seu orgulho teria sido ver um médico entre eles.
E a Celina, então! Faz parte do folclore da família que lá pela segunda década do século XX o pai dela, Sabino, decidiu ensinar aos filhos homens leitura, escrita e as tais quatro operações matemáticas. E se aplicou a tal. Nestas aulas domésticas a Celina, única filha, ficava escondida atrás da porta e assim aprendeu a ler e escrever e a fazer as contas, driblando a discriminação paterna. Foi essa mulher tão decidida que me ensinou a rimar e antes de ler ou escrever, ainda morando no campo, fiz minha primeira estrofe, uma quadrinha em homenagem à Rama Negra, uma égua “pecherona” que, para surpresa de todos, ganhava carreiras em cancha reta no Garupá. Foi a pioneira das dezenas de poesias que escreveria até a juventude... Foi ela também que me indicou os caminhos da curiosidade científica, mostrando de cada borboleta em que vegetal colocava ovos, quanto tempo para nascerem as lagartas e assim por diante. No ginásio, fiz um trabalho de ciências a respeito que me rendeu até ser recebido num almoço do Rotary Clube da cidade para expor a bem sucedida experiência (ou observação científica)...
Pois é. Vicente e Celina tiveram vida suficiente para ver um filho deputado federal, mas não chegaram a conviver com um verdadeiro doutor na família.

Foram as coisas do coração, o enlevo e a paixão, que levaram um filho do Vicente e da Celina a unir-se a Albanise e a uma genética privilegiada. Os Pfeifer acumulam lauréis e destaque científico e cultural, além de incluírem em sua árvore genealógica diversos médicos, os tão sonhados “doutores” para o Vicente.... E ele logo se apegou à nora, encantado (e ainda era filha de médico!).
Na prole resultante desta união o gosto pelas coisas do intelecto, das artes e das ciências, sempre esteve presente. Quantos casais possuem no seu ninho quatro mestrados?
Sempre senti bem disfarçado orgulho disto. Não mais cabe aos pais sugerirem aos filhos este ou aquele caminho. Cada qual escolheu o seu e escondi sempre o sorriso satisfeito, a emoção e uma certa vaidade, para que jamais pressionasse ou induzisse. Não existiu qualquer indução a esta ou aquela profissão. Sequer compareço às defesas de dissertações, para que a presença não atrapalhe ou misture sentimentos de gerações a momento tão especial e particular.
Mas, me sentia endividado com o velho Vicente que há tantos anos nos deixou. Não atendi a qualquer dos seus anseios. Quando no fim da vida me disse, triste, que achava que os filhos venderiam sua propriedade em Quarai, desconversei... faleceu, pouco depois, e nós, herdeiros, vendemos o campo dele! O presente que encomendou à sua adorada afilhada (“Quando puderes, compra uma chácara para que ela tome gosto pela vida do campo...”), não foi e, pelo jeito, nunca será entregue! Em todo o caso, sem qualquer interferência minha, a afilhada revelou-se hábil cavaleira e entusiasta do convívio com animais, o que certamente o faria sorrir orgulhoso.
E agora, o Artur Vicente, que ele nem chegou a ver sem fraldas, cumpre a destinação que o velho de vida rude e sonhos intelectuais para a descendência tanto desejou: é um verdadeiro doutor! Talvez, onde se encontre, nem entenda bem ainda o que é ser físico, o que é microeletrônica e, muito menos, o complexo título da tese de doutorado e as estafantes experiências que levaram a este. Mas, não deixará passar o orgulho quando lhe contarem que tem um neto doutor de verdade! Certamente, a Celina, com sua paixão pela leitura e a assinatura de tudo o que era revista informativa dos tempos em que a ciência deslanchava, irá saber explicar bem o que é ser físico e vai contar que a família não tem apenas um doutor, tem um cientista!
Que alegria que o Dr. Arthur e a Dona Alba estão aí, presentes e ativos, para verem o primeiro neto de sua linhagem Pfeifer alcançar o doutorado!
Mas, se alguém vir um vulto de outro mundo cavalgando pelas noites do Garupá, enrolado num poncho e resmungando alguma coisa solitariamente, não se preocupe: o Vicente é assim mesmo, cada vez que a gente alcançava um sucesso na escola, quando ele ia elogiar parecia estar xingando porque a emoção de homem rude mais parece resmungo! Será o Vicente sim, cavalgando, balbuciando orgulho e emoção!
Não torci para que o Artur Vicente emendasse – como o fez – o doutorado ao recém concluído mestrado. Pelo contrário, temi que sua saúde sofresse consequências por tamanho desafio, ainda mais em área tão complexa e exaustiva. Decisão adotada, respeitei e apoiei. Agora que tudo passou, o ciclo se completou, é hora de revelar o significado desta façanha: do lado Coelho dessa filiação trata-se de feito ímpar, o primeiro a alcançar o doutorado que eu saiba. É o culminar de um processo que iniciou nas primeiras décadas do século XX quando o Vicente tropeando pelos rincões deste Rio Grande, talvez maldizendo suas condições de vida, decidiu que um seu descendente iria ser “doutor”. Ou quando a Celina, atrás da porta, escolheu aprender a ler, escrever e fazer contas contra a vontade paterna de que só os varões precisavam deste tipo de instrução. Foi decisão e determinação deles. Nós, até sem noção exata da missão, apenas a cumprimos! Festejemos, então!

João Gilberto "

Confesso que terminei o texto chorando.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Esse é genuíno!


Não pude escapar do trocadilho com o nome deste que é uma das maiores capacidades na política brasileira: José Genoino.

Estive em POA neste final de semana e fui privilégiado com dois momentos inesquecíveis. Primeiro a saudação do Genoino aos participantes do encontro da Unidade na Luta. Nesta fala, o ex-guerrilheiro contou que a maior dificuldade dele, era explicar ao pai, um sertanejo que vive no interior de Quixeramobim no Ceará, a lógica da sua trajetória. Esse pai zeloso não entendia porque seu filho foi embora da cidade para estudar, foi expulso da universidade, se embrenhou no mato para derrubar o governo, foi preso, virou deputado federal e, pasmem, não melhorou financeiramente de vida. Por último, alcançou um grande sonho, foi presidente nacional do PT e, na contramão de suas intenções, passou a ser chamado de corrupto. Esse pai, inteligente na sua ignorância, não entende o porque dessa luta toda para terminar com seu filho, que ele conhece muito bem, sendo chamando de chefe de quadrilha. Genoino foi e é um homem que entrega sua vida pela luta dos trabalhadores. Começou como um guerrilheiro que travou a luta armada por uma revolução social e hoje encabeça a frente dos parlamentares que mais lutam pela democracia e pelos direitos humanos. Contradição? Não. Evolução. Posições de um homem que por ele mesmo "...assume suas idéias e posições com toda a radicalidade possível." Ou seja, não um "salame" que se aproveita de momentos, mas um militante do Partido dos Trabalhadores.

Nesse breve discurso, onde rapidademente falou de sua trajetória, meu sentimento era de pura admiração e emoção. Em vários momentos me peguei com os olhos cheios d'água, e olhando em volta encontrei vários companheiros na mesma situação. Genoino é dos que fazem chorar. Pela coragem que teve ao fazer, e pela coragem daquilo que ainda fará.

Num segundo momento, fui no lançamento do livro de José Genoino, que conta toda a sua história. Evidentemente, adquiri o livro e ele autografou com uma mensagem simples: " Ao companheiro Clayton Coelho. Companheiro na lutas que passaram e nas que virão. Um abraço, José Genoino". Eu acho que eu balbuciei alguma coisa do tipo, "muito obrigado", "obrigado por tu do que fez", sei lá! Realmente não lembro. Um aperto de mão forte, um olhar no olho e abandonei a fila dos autógrafos carregando aquele livro como se fosse meu maior tesouro, e com certeza, naquele momento era. Minha sensação misturava euforia com esperança. Esperança em acreditar ainda na raça humana. Se pode fazer um José Genoino, pode fazer gente melhor do que normalmente aparecem por aí. Esperança. Essa palavra já representou muito em minha vida. O Genoino fez eu buscá-la lá no cantinho do cérebro onde estava esquecida. Obrigado Zé.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

PAC

Todos os cinco que lêem meu blog sabem o tom crítico que as vezes imprimo em meus comentários. Não posso me furtar de elogiar quando necessário se faz.
Tive a oportunidade de visitar as obras do PAC em Santa Maria, algumas, as primeiras apenas. Fiquei realmente impressionado com a dimensão das obras. Mas principalmente, impressionado com o alcance social delas. São milhares de pessoas beneficiadas. Gente que caminhava por cima da merda dos esgotos e agora, sim, agora, já tem canalização de esgotos e pavimentação de ruas.
Visitei as obras do residencial Cipriano da Rocha, que vai receber moradores deslocados de áreas de risco da cidade. Falei com moradores beneficiados pelas obras. Prá quem não sabe, nasci em vila. Com orgulho nasci na Vila Caramelo e lá morei até os 12 anos. Quem conhece a realidade das vilas sabe o que é sinceridade e o brilho no olhar de um morador. A faceirice (não consegui achar termo que melhor designasse) daquela gente é gritante. Quase um grito de emancipação. Ainda fiquei sabendo que no final do PAC em Santa Maria serão 2600 novas moradias, pavimentação e esgoto em dezenas de ruas e, principalmente, a recuperação total do Arroio Cadena. Repito, a recuperação total do Arroio Cadena.
Radicalizei. Quem falar mal do governo Lula é um elitista e um conservador. E ponto.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Não tem preço

Tem dois anos que pedi exoneração da Prefeitura de Santa Maria, onde ocupava um cargo em comissão. Tinha que cumprir tarefas com incumbências superiores ao meu salário. Embora as vezes incomodado com isto, aceitei a tarefa por ter responsabilidade partidária (até então) e pela minha cidade (acreditem, torço sempre por Santa Maria). Diga-se de passagem, se fosse pela minha mãe, eu não teria aceitado.
Bueno, quando pedi para sair, muitos colegas da prefeitura não acreditavam que alguém pudesse abandonar um emprego "desses" com tanto desprendimento. Inclusive, vários desses "companheiros" insinuavam que eu havia sido exonerado por não ter feito campanha.
Aqui cabe um aparte: faço campanha desde piá para o MDB (embora saiba que os dias mudaram, tenho orgulho em dizer que faço parte de uma família que sempre lutou pela democracia, não tenho nenhum parente próximo que tenha sido da ARENA), sou filiado ao PT desde 1987. Ajudei em todas as campanhas daí em diante, financeiramente inclusive. Dentro das minhas possibilidades, é claro. Poderia citar uma a uma, mas não é a intenção desse post e correria o risco de alguns leitores não lembrarem de todas, até porque estavam em outros partidos.
Imagino que esses "companheiros" não sabem que exista vida fora da prefeitura, fico preocupado quando acabar o mandato e esse CCs não encontrem mais o que fazer, e causem um aumento na taxa de desemprego da cidade. Felizmente, eu tenho profissão, não preciso nem dizer qual é porque quem me conhece, conhece meu trabalho. Isso tem nome: reconhecimento. Sei que tem melhores que eu, mas tem piores também.
Tem um poema do Shakeaspeare que conta a história de uma passarinho preso em uma gaiola que recebia alpiste todo dia. Certo dia, a porta da gaiola abriu e ele ficou em dúvida se saia. Afinal não é facil arrumar comida em um mundo tão grande. Teria que voar muito, todos os dias, atrás da sua alimentação. Ele saiu da gaiola. Tinha um motivo muito forte. Apesar do alpiste todo dia, não há nada como a liberdade. E se tinha que voar mais para comer, não tem problema. Afinal com liberdade e ele conheceria muito mais e abriria novos horizontes.
Luciano, Gerri, Kalu, Fran, Dai. Não tem preço. Lealdade não tem preço. Tenho orgulho de ser amigo de vocês.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Para 2008:

Dadas as mudanças ocorridas no ano de 2007, encontro necessidade de estabelecer algumas considerações sobre as minhas atitudes para com o mundo neste ano que começa:

1) Cuidar de mim e dos que se importam comigo;
2) Não acreditar em ninguém que conjugue na primeira pessoa do singular o verbo fazer (especialmente políticos);
3) Dedicar-me somente, e tão somente, aos velhos e bons amigos. Ter muito cuidado com aqueles que se aproximam em alguns momentos;
4) Jamais esquecer que a política não faz amigos;
5) Não perdoar os traidores;
6) Continuar defendendo a minha cidade;
7) Manter a opção por aqueles que pouca chance tiveram e/ou tem;
8) Não ser mais sempre o último a receber;
9) Fazer da PAZ referência em programas de conteúdo;
10) E finalmente, de uma vez por todas aprender inglês e After Effects.

Em que pese as variantes e desdobramentos de cada resolução, basicamente é isso.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Então é natal...

Estamos no natal. Não vou falar sobre o espírito natalino tampouco consumismo. Acredito que o natal é um momento onde as pessoas estão pré-dispostas à serem mais solidárias. Aqui, também não interessa os motivos dessa solidariedade, ela existe e pronto.
Considerando que o natal tem significados emblemáticos para a grande maioria das pessoas, símbolos de natal são na sua maioria simbolos solidários. O presépio, a troca de presentes, as campanhas para as crianças carentes etc, todos o são.
Pois é justamente de um símbolo que eu quero falar. Santa Maria historicamente escondeu seus problemas debaixo do tapete. As diferenças eram tratadas apenas como motivo de reunião de senhoras (bem intencionadas na sua maioria)incumbidas de distribuir alguns agrados à "comunidade carente". Há poucos anos atrás (bem poucos) Santa Maria acordou com uma árvore de natal feita tão somente de garrafas PET (aquelas que vocês põem no lixo). E o mais estranho, fincada no local mais central e improvável de vermos tamanho absurdo: no calçadão. Aquela árvore, nem sempre bonita plasticamente, construída por gente que vive do lixo, representava uma invasão silenciosa no espaço público da cidade. Peraí! Tudo bem que esses caras mexam nas lixeiras, atrapalhem o trânsito com carrinhos fantasiados. Mas deixarem uma parte de si no meio do calçadão? Obrigando os do centro conviverem com aquela garrafas PET? Não! Claro que não. Esse tipo de manifestação deve ser escondida, deve se manter na periferia e, talvez, em alguma matéria de jornal falando dos "recicladores". Mas não no centro. E, no supra-sumo das suas vidas, aparecerem em um Globo Repórter ou num programa sobre periferia (veja bem, periferia.) da Regina Casé.
Desde o ano passado não temos mais a árvore de PET. Temos uma árvore linda, com laços, verde (como os pinheiros), brilhante. Mas completamente sem alma. Quando passei por aquela árvore, tive vontade de chorar. Voltamos ao passado? Perdemos a batalha? Santa Maria vai voltar a fingir que as diferenças não existem. A árvore de PET era uma lembrança cravada na alma de todos. Mostrando que as diferenças existem e são cruéis. Mesmo que compremos milhares em presentes, aquela visão sempre nos lembraria que existe mais Santa Maria do que a maioria conhece.
Valdeci (sei que assessores teus lêem esse blog), tem mais um ano nesse mandato. Sabe que símbolos são importantes. Não perca este. Se precisar de ajuda, sou parceiro. Até porque temos "opção de classe", não é mesmo?

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Implausível

Minha intenção era retomar o blog falando sobre o I Encontro de Cidades do Mercosul e a eleição no PT. Só que ontem tive o privilégio de acompanhar uma conversa entre o Oscar Niemeyer e o Ferreira Gullar que, sem dúvida alguma, é mais importante que os temas anteriores.
Por dever de ofício, estava a testar alguns equipamentos e consegui gravar um fragmento da conversa que preciso divulgar aqui. Fazia tempo que não via algo tão lírico e brilhante. Lembrem-se que estamos falando de dois comunistas históricos, ateus e cientificistas.
A conversa versava sobre a a crença em deus e na religião, então:

"Niemeyer - Tudo besteira, besteira linda, mas besteira mesmo... Não vai me dizer que isso é plausível?
Gullar - Plausível é uma coisa, crença é outra. Toda a crença é pelo menos impláusivel. Eu tenho um poema que me veio assim: eu ia para o trabalho e passei pelo cemitério São João Batista. A manhã estava linda, e eu me lembrei de meus amigos ali, Vianinha, Paulo Pontes, Vinícius, todos eles...E imaginei que estava juntos, sentados no túmulo do Vinícius, rindo e conversando... Tudo assim no balanço da brisa...Eram espirítos e estavam ali se divertindo, felizes, brincalhões... Daí o cara pára no sinal, e eu caio em mim: mas um comunista não pode ficar pensando nessas coisas! É, mas a manhã era tão linda que eu preferi acreditar que meus amigos estavam ali se divertindo, conversando e rindo como digo no poema:

Nessa manhã brasileira
que torna implausível a escura morte..."

Estou buscando o poema inteiro, mas só esses dois versos antecedidos pela história do poeta levam-me a pensar que vale a pena continuar. Depois de tantos absurdo que vi na última semana, o Ferreira Gullar ressuscitou uma chama de esperança dentro de mim. Pelos amigos que estão aí, pelos que já foram (com certeza jogando truco), vale a pena continuar.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Dois pesos...

Acho interessantíssima (tenho amigos que criticam meus superlativos) a opinião da REBES sobre a carga tributária, os respectivos impostos e tentativas de aumento dos mesmos. Até bem pouco tempo atrás, aumento de impostos era uma palavrão para esta dileta rede de comunicação, assim como para seus grandes, preparados, insuperáveis e isentos comentaristas.
Incrivelmente, corajosamente, inescrupulosamente, opa, esse não; a REBES lamenta a atitude da Assembléia Legislativa que deu um relhaço na governadora paulista, impedindo um roubo descarado no bolso do contribuinte. Seu mais rubicundo comentarista atira farpas na Assembléia por "não ter dado mais tempo à votação do pacote. Para discutirmos melhor o futuro do Rio Grande.". Faz tempo que eu não tenho orgulho de várias instituições, mas hoje tenho o orgulho de escrever Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul com maiúsculas.
E o mais engraçado, é que a mesma REBES critica a tentativa de manutenção da CPMF, o único imposto que penaliza quem movimenta mais dinheiro nos bancos. Vai entender. Eu entendo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Carrefour

Tenho acompanhado uma polêmica fantástica sobre as "ajudas" que o Carrefour tem dado à cidade. Alguns dizem que o Hipermercado tem patrocinado ações pela cidade e não poderia fazer isto. Pelo que eu sei, está ajudando na contrução do "xópim" popular e no novo paradão de ônibus.
Na minha imodesta opinião, só posso elogiar a atitude da empresa. Quiça todas as empresas que se estabelecerem na cidade ajudem na infra-estrutura da mesma. Sem contar que só por ter restaurado o Hugo Taylor já teria minha admiração.
Ainda não fui no mercado, embora trabalhe a poucas quadras e more ao lado, mas mal posso esperar para tomar um café sob a pintura do Locatelli.
E os que criticam o mercado por "interferir" na cidade, deve ser inveja ou culpa.

Em tempo: A única relação que tenho com o Carrefour é a vontade que tenho de conhecer a França.